Under the Water

 

‘Under the water’ 

 

Hanamaro Chaki 

Solar do Ribeirinho,  Machico,  Madeira, Portugal

31st of May to 5th of July 2024

The ‘Under the water’ exhibition consists of painting, drawing and sculptural pieces. The theme is life and the interconnectedness of all beings. It is one of the main themes that most characterizes my work, but this time I would like to invite the public to reflect on the interconnection or unity of individuals through origin, birth, lactation and fertility. The setting for my imaginary creatures is the sea. Since arriving in Madeira, my connection with the sea has become stronger. The feeling of unity and timelessness that I can feel underwater allows me to imagine that the contour of my body is less defined, the notion of time disappears and individuality is more uncertain. As if by immersing my body in water, the existence of self falls away into the pure sensations of movement, vision and thoughts. The feeling of belonging to everything that surrounds me is more intense.

Before we were born, we were immersed in water in the womb, where life is already experienced in more protected states. To live we have to eat. Food is also a form of transformation and fusion with other beings. Food becomes a part of us. And when we die, our body also returns to the earth as the last contribution to life and there we remain as part of a whole. We return to the same place we came from, in a cyclical movement, in the same way that we live interconnected with each other.

I question why we feel isolated and think it is possible to live independently without feeling separateness from each other. The structure of our society emphasizes segregation: individualism, one’s own family, country, religion, ideologies, etc. Could the difference simply be the difference? Can we find balance within diversity? Living in the present is being part of the world at this precise moment.

 

A exposição ‘Under the water’ é composta por uma variedade de peças de pintura, desenho e escultura, cujo tema geral é a vida e a interconexão de todos os seres. É um dos temas que mais caracteriza o meu trabalho e ao qual recorro, mas desta quero convidar o público a refletir sobre a interconexão ou unidade dos indivíduos através da origem, nascimento, lactação e fertilidade. O cenário escolhido para este projeto é o mar e toda a vida marinha que o transformam num mundo próprio. Desde que cheguei à Madeira, a minha conexão com o mar ficou mais forte. A sensação de unidade e intemporalidade que é possível sentir debaixo da água, permite-me imaginar que o contorno do meu corpo esteja menos definido, que o tempo se liberte da noção e a que a individualidade seja mais incerta. Como se ao imergir o meu corpo em água, a existência recai nas sensações de movimento, visão e pensamentos. É mais intensa a sensação de pertencer a tudo o que me rodeia, mas como uma parte num todo.

Antes de termos nascido estivemos imersos em água no útero, onde já se experiência a vida, mas de algum modo protegidos desta. Para viver temos de comer e a alimentação é também uma forma de transformação e fusão com outros seres. A comida torna-se uma parte de nós. E quando morremos, o nosso corpo também volta para a terra como o último contributo para a vida e por lá permanecemos como parte de um todo. Nós voltamos para o mesmo local de onde viemos, num movimento cíclico, da mesma forma que vivemos interconectados uns com os outros

. Questiono porque nos sentimos isolados e achamos que é possível viver de forma independente ou simplesmente tão separados uns dos outros. A estrutura da nossa sociedade cada vez mais acentua a importância da segregação: o individualismo, a família, o país, a religião, as ideologias, etc. Poderá a diferença ser simplesmente a diferença? Podemos encontrar o equilíbrio dentro da diversidade? Viver no presente é fazer parte do mundo neste preciso momento.